quinta-feira, 25 de abril de 2019

A Cognoscibilidade de Deus



Conceituação:

A palavra cognoscibilidade se origina da palavra em latin: cognoscibĭle "Característica ou particularidade do que é cognoscível; que se pode conhecer". Afirmar a existência de um Deus ou de um ser transcendente necessariamente não implica na possibilidade real de conhecê-lo, como também do quanto de tal "Deus" pode ser conhecido. Na cosmovisão Deísta, por exemplo, a existência de um "Deus" é defendida em detrimento a quaisquer visão contrária, mas intrínseco a tal cosmovisão, a possibilidade de conhecer tal "Deus" de forma pessoal é negada veementemente. 

Podemos Conhecer algo Sobre Deus? Podemos Conhecê-lo?

Dentro da Cosmovisão teológica-Filosófica Cristã a possibilidade de conhecermos a Deus em toda a sua totalidade é negada, entretanto, é afirmada por outro lado, que podemos conhecê-lo verdadeiramente. Tais proposições não são excludentes, e mesmo que sejam entendidas inicialmente como contraditórias, não as são. Neste momento estaremos abordando estes dois Pontos elencados 
  1. Jamais conheceremos Deus plenamente
  2. Entretanto, podemos conhecê-lo verdadeiramente.

 Jamais Conheceremos a Deus plenamente


As Sagradas Escrituras nos revela que Deus ele é infinito e nós somos finitos - em outras palavras, Criaturas.  Em Salmos 145:3 o Salmista ele ressalta  "a grandeza - de Deus - que não tem limites", no Salmos 147:5 ele deixa claro a impossibilidade de medir o seu entendimento "é  impossível medir o seu entendimento". O Apóstolo Paulo escrevendo a igreja de Corintos reafirma essa incompreensibilidade de Deus Escrevendo: 

O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus [...]
ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus (1Co 2:10-11).
Escrevendo aos romanos e se utilizando de uma doxologia ele canta:

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos (Rm 11:33).
Como afirma Wayne Grudem: "Esses versículos nos permitem levar nosso entendimento da incompreensibilidade de Deus um passo adiante. Não somente é verdadeiro que jamais podemos entender Deus plenamente; é também verdadeiro que nunca poderemos entender plenamente qualquer simples coisa a respeito de Deus:
  1. Sua grandeza
  2. Seu entendimento
  3. Seu conhecimento
  4. Suas riquezas
  5. Sua sabedoria
  6. Seus juízos
  7. Seus caminhos"
Ele continua:

"Todos eles estão além de nossa capacidade de entender plenamente [...] Não poderemos nunca conhecer os atributos de Deus de modo completo ou exaustivo"


Podemos Conhecê-lo Verdadeiramente


Embora a compreensão, entendimento e conhecimento exaustivo - Completo - da pessoa/Ser de Deus segundo as escrituras é impossível, podemos sim! conhecer aquilo que corresponde a realidade sobre a pessoa/Ser de Deus. As Escrituras afirmam: 
  1. Que Deus é amor
  2. Que Deus é Luz
  3. Que Deus é Espírito
  4. Que Deus é Justo
      (etc)

Com base nas Escrituras temos o conhecimento verdadeiro sobre Deus, ainda que o conhecimento exaustivo seja inverosímel. Algumas pessoas chegam a afirmar que não podemos dizer que conhecemos Deus propriamente, apenas alguns fatos ou ações, contudo as Sagradas Escrituras nos asseguram que não apenas fatos ou ações de Deus podemos conhecer, entender ou compreender (Parcialmente), mas que o próprio Deus conhecemos e que o mesmo pode ser conhecido (Jr 9:23-24; Jo 17:3; Hb 8:11;Gl 4.9; Fp 3:10; 1 Jo 2.3;; 4:8). Na primeira carta da João está Escrito: 

"E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro" (1 Jo 5:20) 

Na mesma epístola ele escreve:

"Filhinhos, eu lhes escrevi porque vocês conhecem o pai" (1Jo 2:14)

 Conclusão

Duas verdades podemos extrair sobre a cognoscibilidade de Deus segundo Wayne Grudem:

Em primeiro lugar:

"a doutrina da incompreensibilidade de Deus tem uma aplicação muito positiva para a nossa vida. Ela significa que nunca seremos capazes de conhecer "demais" a respeito de Deus, pois nunca poderemos exaurir as coisas que temos de aprender dele e, dessa forma, nunca - incluindo a eternidade - nos cansaremos de ter prazer na descoberta infindável da sua excelência e da grandeza de suas obras" (Acréscimo Nosso)

 Em Segunda lugar: 

"O fato de que realmente conhecemos Deus é posteriormente demonstrado pela percepção de que a riqueza da vida Cristã inclui o relacionamento pessoal com Deus [...] temos o privilégio muito maior que o de simplesmente conhecer fatos a respeito de Deus. Falamos com Deus em oração, e ele nos fala por meio da sua palavra. Comungamos com ele em sua presença, catamos louvores a ele e estamos conscientes de que ele pessoalmente habita  entre nós e dentro de nós (1Co 3:16) [...]". (Acréscimo Nosso)






_______________________________________________________________
Bibliografia:
Manual de Doutrinas Cristãs - Wayne Grudem

Sites Visitados:



Dedico esta postagem a Lidiane Quérolin 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O Sinergismo e a Depravação Total na Soteriologia Arminiana





Durante os primeiros 400 anos da História do Cristianismo, podemos afirmar com extrema convicção, pelos escritos dos Pais da Igreja, que a posição adotada pelos cristãos acerca da mecânica da Salvação, foi, na maioria dos casos, o que posteriormente seria classificado, no final do século 16, como semi-pelagianismo; e nos demais casos, o que seria chamado posteriormente de arminianismo*;em outras palavras, o entendimento de todos os Pais da Igreja Pré-Agostinho em relação à mecânica da salvação era o que posteriormente seria designado, exageradamente, no final do século 16, como“sinergismo”.[1]

O Sinergismo e a Depravação Total na Soteriologia Arminiana

A expressão “exageradamente” fora aplicada anteriormente porque o termo sinergia, significa um conjunto de ações ou esforços simultâneos associados em prol de um mesmo fim, e que sugere implicitamente uma cooperação de formas mais ou menos equivalentes ou complementares para atingir um objetivo comum. Contudo; uma coisa que nenhum Pai da Igreja, teólogo arminiano ou semipelagiano defenderia – ontem ou hoje – é que a resposta cooperativa do homem ao chamado divino para Salvação é mais ou menos equivalente a de Deus no processo – entretanto, em detrimento a visão semi-pelagianista, os arminianos afirmam de forma mais clara e contundente que a salvação é uma obra totalmente divina. [2] Tomando com base as Sagradas Escrituras, os arminianos assevera que Deus não apenas propiciou a Salvação, mas também capacitou o livre-arbítrio do homem para entender as questões espirituais possibilitando-o a responder ao chamado divino. Por tal motivo nenhum homem pode vangloria-se, pois até mesmo a sua capacidade de responder foi dada por Deus; portanto, sem a ação divina, o homem não poderia ser salvo de forma alguma, pois ele, além de não poder prover a salvação para sim mesmo, não poderia responder de forma alguma ao chamado divino por ela. Logo, a salvação é propiciada por Deus.[3] Assim sendo, o ser humano tem apenas uma pequena participação – possibilitada por Deus – de carácter mais passivo do que ativo no processo inicial de sua Salvação; na fase inicial, só confia, aceita e se submete, e mesmo, depois de salvo, quando precisará se também ativo, “operando” a sua salvação com “temor e tremor” (Fp 2.12), isso só lhe será possível devido a sua nova natureza em Cristo gerada em seu ser pelo Espírito Santo, não se esquecendo do fato de que, ele precisará também continuamente do auxílio da graça divina, caso contrário a sua santificação e perseverança seriam impossíveis (Fp 2.13).[4] Entretanto, o Semi-Pelagiano em detrimento ao arminiano afirmará que Salvação fora propiciada por Deus. O ser humano apenas recebe aquilo que de graça foi feito por Deus em seu favor, e que jamais poderia realizar por si só; contudo, ele recebe tal salvação porque Deus, pela sua misericórdia preservou o seu livre-arbítrio, possuindo capacidade por si só de responder positivamente ao chamado divino.[5] Portanto, a diferença entre os semi-pelagianos e arminianos encontra-se no campo do entendimento da Depravação Total herdada pelo homem. [6]

A depravação total para os semi-pelagianos é Parcial, diferentemente da visão defendida pelos arminianos, que seria uma depravação Total. [7] Para os semi-pelagianos o livre-arbítrio paras as coisas de Deus fora preservado por Ele, possibilitando ao homem responder o chamado divino cooperando com a graça. Para os arminianos o livre-arbítrio fora comprometido após a queda, de maneira que para o homem responder ao chamado divino é necessário que Deus restaure o livre-arbítrio do homem para as coisas espirituais.[8]
Portanto, principalmente na visão arminiana, não há uma cooperação de forças mais ou menos equivalentes ou complementares para atingir o objetivo comum. Portanto, o termo sinergismo fora aplicada incorretamente para designar a Mecânica da Salvação defendida pelos teólogos semipelagianos e arminianos. Tal termo – sinergismo – fora utilizado pelos Luteranos monergistas radicais no final do século 16 para designar pejorativamente os luteranos filipistas [9] com o intuito e propósito claro de exagerar a posição adversária e desacreditá-la.[10] Para piorar, o termo “semi-pelagiano”[11] - igualmente impróprio, além de fortemente pejorativo – foi em tal período, juntamente com o termo “sinergismo”, utilizado para designar a posição dos antigos Cassianistas opositores de agostinho – de hipótese alguma poderiam ser chamados de semipelagianos, pois nem Agostinho os via dessa forma [12] – como também a posição Não-Cassiana dos Luteranos Arminianos.[13] Devido a isto – Termos aplicados pejorativamente a Mecânica Arminiana – grandes Teólogos arminianos como J. Mattew, E.Picirilli, F. Leroy Forline, Jeremy A. Evans, Mark Ellis, William der Boer, Richards Cross, Arthur Skevington Wood – como também o Teólogo Calvinista Gregory Graybill [14] – preferem chamar o “sinergismo” arminano de “Monergismo Condicional ou Monergismo com resistibilidade a Graça”, o qual definem como uma “recepção passiva do mérito ao invés de uma ativa obra cooperativa que ganharia mérito”, pois trata-se de uma “relação na qual a vontade e obra de Deus dentro do homem são bem-vindas numa atitude de confiança e submissão”.[15]

Apesar disso, o Teólogo Arminiano Roger Olson, continua mantendo o termo impróprio “sinergismo” para designar o arminianismo; contudo, o mesmo faz duas distinções sobre o significado e aplicação deste termo, sendo elas:

1. Sinergismo Herético ou Humanista:

Neste sinergismo o pecado original é negando e “as habilidades humanas morais e naturais são elevadas” para que a pessoa possa ter uma vida espiritual completa”. (Pelagianismo) ou então, o pecado original é suavizado para que o homem possa ter a habilidade de, “mesmo em seu estado caído, iniciar a salvação ao exercer uma boa vontade para com Deus. (Semi-Pelagianismo)

2. Sinergismo Evangélico:

Já o sinergismo evangélico “afirma a preveniência da graça para que todo ser humano exerça
uma boa vontade para com Deus (Arminianismo)[16]; Não esqueçamos que todas essas especificação decorrem do fato de que o termo “sinergismo” – se tomado em seu sentido estritamente literal, que sugere implicitamente uma relação “fifty-fifty” (50% a 50%) – se torna extremamente impróprio para designar o Arminianismo, e mesmo se caso for utilizado, o seu sentido precisa ser diferenciado, como faz Olson.[17]



Notas
________________________________________________________
* Texto Publicado faz parte de um Resumo realizado do Livro: Arminianismo; A Mecânica da Salvação - Silas Daniel
1 Pag, 17
2 Pag, 17
3 Pag, 18
4 Pag, 18
5 Pag, 18
6 Pag, 19
7 Pag, 19
8 Pag, 19
9 (Filipistas) tal nome foi aplicado a luteranos seguidores de Felipe Melanchthon. Teólogo   Luterano Arminiano
10 Pag, 19
11 (Semi-Pelagiano) O termo fora utilizado pelo Calvinista rígido Teodoro de Beza em 1556 para se referir à doutrina católica romana esposada em seus dias. Inicialmente Beza nem pensou em aplicá-lo aos seguidores de Melanchton. Foi os Luteranos anti-arminianos que começaram a usar injustamente esse termo para se referir ao pensamento melanchthoniano, o que depois cairia no gosto Calvinista também.
12 Inúmeros especialistas asseveram o uso equivocado do termo “semi-pelagianismo” para se referir ao cassianismo e ao pessamento da maioria dos Pais da Igreja Pré-Agostinho, pois os chamados semi-pelagianos queriam ser qualquer coisa, menos “meios-pelagianos”. Seria mais correto chamá-los de “semi-agostinianos”, pois os tais se apoiaram na doutrina da graça e do pecado original de Agostinho – rejeitando explicitamente os pensamentos de Pelágio. Cassiano, por exemplo, classificou-o como herético – contudo, não desejaram seguir toda a doutrina pregada por Agostinho devido as suas consequências. (O autor, Silas Daniel, nas página 45-47, cita conteúdos de mais de 18 obras, de diferentes autores, que corrobora com tal afirmação supracitada)
13 Pag, 19
14 O autor, Silas Daniel, estará trazendo informações adicionais sobre cada Teólogo Citado; como por exemplo: formações acadêmicas e ocupações profissionais na areá da Teologia. Para obter tais informações, aconselho humildemente ao leitor
que adquira o respectivo Livro.
15 Pag, 20
16 Pag, 21
17 Pag, 21

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Introdução a Pneumatologia - A Divindade do Espírito Santo (Part 2)





Como poderemos saber que o Espírito Santo é Deus? Esta é uma que pergunta está explícita no Catecismo Maior de Westminter (1648). Poderemos extrair deste documento a seguinte resposta para a questão levantada, “basta olharmos para as Escrituras[...]”.

Geralmente, coloca-se o Espírito Santo como a terceira pessoa da trindade, acredito que por tal motivo o estudo sobre Espírito Santo, muitas vezes é desprezado. A expressão “terceira pessoa”, jamais deverá sair do cunho didático, pois “as três pessoas compartilham da mesma glória, do mesmo poder, compartilham o mesmo nome, Deus, e os mesmos atributos” (FERREIRA, 2015, pg. 56). Basílio de Cesareia, por exemplo, era extremamente contrário a esta enumeração, e podemos compreender o motivo. Para quem não domina a trindade, esse tipo de enumeração, torna-a possuidora de uma estrutura hierárquica entre as pessoas, logo, a sujeição de alguma para com a outra seria algo necessário, e isto é heterodoxo. Vale ressaltar que esse modo de pensar e tal “didática”, surgiu na realidade do explicar sobre as manifestações temporal da trindade. Gregório Nazianzeno detalhou esta revelação da pedagogia da “condescendência” divina da seguinte forma:


"O Antigo Testamento proclamava manifestamente o Pai, mas obscuramente o Filho. O Novo manifestou o Filho, mas fez entrever a divindade do Espírito. Agora o Espírito tem direito a cidadania entre nós e os concede uma visão mais clara de si mesmo. Com efeito, não era prudente, Quando ainda não se confessava a divindade do Pai, proclamar abertamente o Filho e, quando a divindade do ainda não admitida, acrescentar o Espírito Santo como um peso suplementar, para usarmos uma expressão um tanto ousada... É por meio de avanços e de progressões “de glória em glória” que a luz da Trindade resplandecerá em claridades mais brilhantes (NAZIANZENO, apud FERREIRA, 2015, pg. 211)"
Neste momento estaremos analisado os principais argumentos concernente a Divindade do Espírito Santo


Espírito Santo é chamado Deus e Senhor

Em At 5.3,4 o Espírito Santo é chamado Deus, vejamos:

Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. (Grifo nosso) 



Já em 2 Co 3.18, encontramos o seguinte, “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito. Paulo citando Is 6.8,9. disse: "Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaias dizendo: Vai a este povo” (cf. At 28.25,26). Com isso Paulo identificou o Espírito Santo com Deus.

Atributos divinos são-lhe facultados

· Santidade (Jo 14.26; Is 63.10)

· Onipresença e imensidão (Sl 139.7-10; Jr 23.24)

· Onipotência (Lc 1.35; Rm 15.19)

· Onisciência (Is 40.13,14; Rm 11.34; 1Co 2.10-11; Jo 16.13; 2Pe 1.21)

· Eternidade (Hb 9.14; Gn 1.2)

· Glória (1Pe 4.14)

Realiza obras divinas

  Criação (Gn 1.2,3; Jó 33.4; Sl 33.6)

· Preserva e Governa (Jó 26.13; 33.4; Sl 104.30)

· Regenera (Jo 3.5,6; Tt 3.5)

· Revela os eventos futuros (Lc 2.26; Jo 16.13; At 11.28; 1Tm 4.1)

· Ressurreição (Rm 8.11; 1Pe 3.18)

· Governa a Igreja (At 15.28; At 13.2; 20.28)

· Santifica (2Ts 2.13; 1Pe 1.2)

· Milagres (Mt 12.28)

· Iluminação (Ef 1.17,18)

· Confere Dons (1Co 12.4-11)

É adorado


Há inúmeras passagens que são claras sobre a identificação de que o Espírito Santo que proferiu a Escritura é Deus. Contudo, os trechos mais claros podem ser encontrados em At 1.6 que diz: “Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus” e At 4.25,25 “E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs?

 É colocado em igualdade como pai e filho


“Quando o nome de Deus se junta com o do Filho e do Espírito Santo, assume o caráter de perfeição e de plenitude (Mt 28.19); trata-se de pensamento trinitariano ainda que falte aqui uma formulação trinitariana precisa “ BIETENHANHARD, apud MAIA, 2014, pg.471).

A igualdade entre as pessoas da trindade é confirmada em passagens que as ordens de citação de tais pessoas variam, como por exemplo em Romanos 1.21-22 e 2 Coríntios .13.13: O Filho é mencionado em primeiro lugar, depois o Pai, depois o Espírito Santo; 1 Pedro 1.2: O Pai é mencionado em primeiro lugar, depois o Espírito Santo, depois o Filho; Judas 20-21: O Espírito Santo é mencionado em primeiro lugar, depois o Pai, depois o Filho. Portanto, a divindade do Espírito Santo é clara na Bíblia.

Peca-se contra o Espírito Santo


Este é o argumento mais forte concernente a Divindade do Espírito ao nosso pensar. Em Mateus 12.31.32 está escrito: 

“e, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”

A passagem é clara quanto a gravidade do ato de blasfemar contra o Espírito; “a imperdoabilidade deste pecado – a blasfêmia – envolve o fato dele ser Deus. Se o Espírito fosse uma força, não se pecaria contra ele; se por outro lado fosse apenas um ser pessoal finito, o pecado contra ele não seria imperdoável” (MAIA, 2014, pg. 473 – acréscimo nosso)
O substantivo βλασφημία, visto por duas vezes nos versículos citados anteriormente, origina-se do verbo βλασφημέω que tem o sentido de “injuriar”, “difamar”, “insultar”, “caluniar”, “maldizer”; tal verbo é formado por duas palavras, βλάψις derivada de βλάπω: “injuriar”, “prejudicar” e Φημί: “falar”, “afirmar”, “dar a entender”, “anunciar”. Como certa vez escreveu Calvino “A blasfêmia é um ato cometido por homens que deliberadamente guerreiam contra Deus. Essa é uma espantosa perversidade e uma monstruosa temeridade”. 





quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O Ateísmo e as Suas Implicações Existenciais (Part 3)




Na publicação anterior procuramos mostrar que se Deus não existir, a vida não possui um valor último [1]; neste momento, estaremos focando no Terceiro ponto que envolve as implicações existenciais do Ateísmo: "Se  Deus não existe, a vida não possui sentido, nem valor, nem PROPÓSITO FINAL"


Sem um propósito Final


Se Deus não existir, o Ser Humano e o Universo existem sem nenhum propósito, consequentemente a vida é algo completamente sem razão. Como Willian L. Craig salienta: 

"Se a morte nos espera de braços abertos no fim do curso da vida, qual é o objetivo da vida? Com que fim ela foi vivida? Tudo foi a troco de nada? Não há razão para a vida? E o que dizer do Universo? Ele é completamente sem razão? [...]"

O Escrito Inglês H. G. Wells anteviu essa perspectiva em seu romance a Máquina do Tempo. Um dos personagem da obra supracitada viaja no tempo afim de descobrir o destino do ser humano, e tudo o que ele encontra é a terra morta, com exceção de alguns musgos, orbitando em torno de um gigantesco sol vermelho. Os únicos sons são o sopro do vento e o marulhar das ondas do oceano. 

"O mundo estava em silêncio. Silêncio? Seria difícil descrever como tudo estava quieto. Todos os sons das pessoas, o balido das ovelhas, o canto dos pássaros, o zumbir dos insetos, o movimento que forma o plano de fundo da nossa vida - Tudo havia passado"
Quando o viajante retorna de tal ponto no futuro, percebemos que ele retornou apenas para uma fração anterior de tempo, para uma mesma agitação frenética e sem propósito em direção ao Esquecimento. Essa é a realidade de um universo sem Deus:

"Não há esperança nem propósito"

O Autor do Livro de Eclesiastes mostra no decorrer do livro a futilidade do praser, da riqueza, da instrução, da fama política e da honra em uma vida fadada a morrer. O seu veredito de forma irônica é: Que grande ilusão! Que grande Ilusão! Tudo é Ilusão" (Ec 1.2)



"Mais que isso, mesmo que a vida não terminasse com a morte, sem Deus a vida ainda careceria de propósito. Pois o ser humano e o universo seriam meros acidentes do acaso, trazidos a uma existência sem razão. Sem Deus o universo é fruto de um acidente cósmico, de uma explosão acidental. Não há uma razão para que ele exista. E o ser humano é uma aberração da natureza, produto casual de matéria mais tempo mais acaso. Se Deus não existir, então você não passa de um aborto da natureza jogado em um universo sem propósito para viver uma vida sem propósito. Portanto, se Deus não existir, isso significa que o ser humano  e o universo existem sem um propósito — uma vez que o fim de tudo é a morte — e que vieram a existir sem propósito algum, uma vez que são meras obras do acaso. Em síntese, a vicia é algo completamente

sem razão"
T.S. Eliot em um dos seus versos escreve: 


"É assim que o mundo Termina
      É assim que o mundo terminou
É assim que o mundo Termina
      Não com uma explosão; com um gemido"

Como de forma perspicaz, conclui Craig: 


"O que vale para o Universo e a raça humana também se aplica a nós como indivíduos. Enquanto seres humanos individuais, somos o resultado de certas combinações de hereditariedade e ambiente. Somos vítimas de um tipo de roleta genética e ambiental. Biólogos como Richard Dawkin consideram o ser humano uma maquína eletroquímica [...]. Se Deus não existe, você não passa de um aborto da natureza jogado num universo sem propósito para levar uma vida sem propósito"

Contudo, se Deus existe, isso significa que há uma esperança para o ser humano, há um propósito para o universo.


A Impossibilidade Prática 

Os dilemas do homem moderno é extremamente terrível. A cosmovisão ateísta é insuficiente para proporcionar uma vida feliz e coerente. Como afirma Craig: "O ser humano não pode viver de modo coerente e feliz como se a vida no fim das contas não tivesse sentido, valor ou propósito. Se tentarmos viver de modo coerente dentro da cosmovisão ateísta, acabaremos profundamente infelizes. Se, porém, conseguirmos viver felizes, será apenas contradizendo nossa cosmovisão". 
Entretanto Incapazes de viver em um universo em que tudo é produto do acaso cego, os ateus, ,como por exemplo, os físicos russos Zeldovich e Novikov, Francis Crick, Fred Hoyle, astrônomo inglês, Carl Sagan etc, às vezes começam a atribuir personalidade e motivos aos próprios processos físicos. Essa é uma maneira bizarra de falar e representa aquilo que Schaeffer denominava como um salto do andar de baixo para o de cima da Existência Humana[2];Como também  é defendido por alguns o próprio auto-engano como meio para se viver com propósito da vida. Bloch e  L. D. Rue defendem tais perspectivas, Bloch por exemplo constata que a crença de que a vida termina em nada dificilmente é, em suas palavras, “suficiente para manter a cabeça erguida e trabalhar como se não houvesse fim”. Ao se valer dos resquícios de uma crença na imortalidade, escreve Bloch, “o homem moderno não sente o abismo que o cerca por todos os lados e com certeza acabará por tragá-lo. Com esses resquícios, ele salva seu senso de identidade própria. Por meio deles surge a impressão de que o ser humano não está perecendo, mas apenas um dia o mundo terá o capricho de não mais se mostrar a ele”. O dr. L. D. Rue, defendeu corajosamente que enganemos a nós mesmos com alguma “Mentira Nobre” para que pensemos que nós e o universo ainda temos valor. Mas o que seria aquilo que ele classifica como Mentira nobre? Segundo Rue:

“É aquela que nos engana, nos ilude, nos impele além do interesse próprio, além do ego, além de família, nação [e] raça”. É uma mentira porque nos diz que o universo é dotado de valor (o que é uma grande ficção), porque alega ser uma verdade universal (o que não existe) e porque me diz que não devo viver para os meus interesses (o que é obviamente falso). “Sem essas mentiras, no entanto, não conseguimos viver.” Esse é o terrível veredicto pronunciado sobre o homem moderno. A fim de sobreviver, ele tem de viver enganando a si mesmo. Contudo, mesmo a alternativa da Mentira Nobre, no fim das contas, não funciona"

Não obstante, Steven Weinberg, ganhador do Nobel de física e reconhecidamente ateu, no seu livro ,The First Three e Minutes [Os três primeiros minutos], escreveu o seguinte:

"É quase irresistível para o ser humano acreditar que tem alguma relação especial com o universo, que a vida humana não é, grosso modo, um resultado ridículo de uma cadeia de acontecimentos acidentais que remontam aos primeiros três minutos, mas sim que fomos de alguma forma criados dese o início [...] E muito difícil descobrir que tudo isso não passa de uma minúscula parte de um universo assustadoramente hostil. O mais difícil ainda é descobrir que o universo atual evolui a partir de uma condição inicial inexplicavelmente desconhecida, e tem pela frente uma futura extinção em um frio indescritível ou um calor intolerável. Quanto mais o universo nos parece compreensível, mais parece sem propósito. Mas se não há nenhum consolo nos frutos da nossa pesquisa, ha ao menos algum consolo na pesquisa em si. Os homens e as mulheres não se contentam em se consolar com fábulas de deuses e gigantes, ou em confinar seus pensamentos nos afazeres cotidianos da vida; eles também constroem telescópios, satélites e aceleradores de partículas, e sentam-se em suas escrivaninhas por horas intermináveis para encontrar um sentido para os dados que reuniram. O esforço para entender o universo é uma das poucas coisas que eleva a vida humana acima do nível da farsa, e lhe confere um pouco da farsa e do absurdo, e lhe dá algo da graça da tragédia"


Weinberg evidentemente enxerga na vida devotada às buscas científicas algo verdadeiramente significativo, e portanto é lamentável que uma busca tão nobre seja extinta. Mas por que no naturalismo a busca da ciência deveria ser algo diferente de arrastar-se por aí, não fazendo nada? Visto que não há propósito objetivo para a vida humana, nenhuma de nossas buscas tem significado objetivo algum, por importantes e valiosas que nos pareçam subjetivamente. a tendência irresistível de tratar os avanços na carreira e a fama como se fossem fins de fato objetivamente importantes, quando na verdade não são nada.


O êxito do cristianismo bíblico

se o ateísmo fracassa nos aspectos concernente a existência humanda, o que dizer do cristianismo bíblico? De acordo com a cosmovisão cristã, Deus existe, e por isso a vida do ser humano não termina no túmulo. No corpo ressurreto, o ser humano pode desfrutar da vida eterna em comunhão com Deus. O cristianismo bíblico, portanto, proporciona ao ser humano as duas condições necessárias para uma vida com sentido:
  1. valor e propósito 
  2. Deus e a imortalidade.
Por causa disso, podemos viver de modo coerente e feliz. Assim, o cristianismo bíblico é bem-sucedido exatamente onde o ateísmo fracassa. Se Deus não existe, a vida é inútil. Se o Deus da Bíblia existe, a vida tem sentido. Somente a segunda dessas duas alternativas nos possibilita viver felizes e coerentes.





Notas
______________________________________________________

[1] https://lucasamaciel.blogspot.com/2018/05/o-ateismo-e-as-suas-implicacoes_19.html

[2] Francis Schaeffer diz que o "homem moderno mora em um universo de dois andares. No andar de baixo está o mundo finito sem Deus; ali a vida é um absurdo, como vimos. No andar de cima estão sentido, valor e propósito. Muito bem, o homem moderno mora no andar de baixo porque acredita que Deus não existe. Só que não consegue viver feliz num mundo absurdo assim; por isso, constantemente dá saltos de fé para o andar superior para afirmar sentido, valor e propósito, apesar de não ter direito a isso por não crer em Deus. O homem moderno é totalmente incoerente quando dá o seu salto, porque esses valores não existem sem Deus, e o ser humano no andar de baixo não tem Deus."