terça-feira, 3 de abril de 2018

Disciplina Na Igreja - Termos Chaves Para a Disciplina Segundo o Novo Testamento (Part 1)



A disciplina é de suma importância para a comunidade Cristã, pois trata-se de um assunto que infelizmente em algumas igrejas é dado pouco caso, e em outras é aplicada de forma excessiva [1]. Concordamos que o princípio teológico e prático da disciplina sendo compreendido, ensinado e aplicado de forma correta resultará em “igrejas mais fortes e maduras”[2]; devido a isto se faz importante o estudo com afinco sobre tal tema, tendo em vista que em determinados momentos “os filhos de Deus muitas vezes falam, pensam e agem como filhos de adão e até do diabo”[3]. Convém salientarmos que “ninguém acredita [...] que a participação na comunidade dos santos garanta que o filho adotivo passe a ser parecido com o Filho Eterno ou que se comporte como o Pai” – entre os vários títulos que descrevem a igreja, podemos identificar os termos “ a família de Deus e Filhos de Deus” – consequentemente evitar a disciplina ou banaliza-la acarretará em diluição e destruição da Igreja. Não obstante ao que concerne a disciplina eclesiástica “Tudo deve ser feito com decência e ordem” (1 Co 14.40); como afirmou de forma maravilhosa Leonardo Tuggy “[...] A anarquia resulta da negligência da disciplina e o domínio papal do seu abuso”[4].

A definição de disciplina eclesiástica segundo o renomado autor e teólogo Russel P. Sheed corresponde a “Todos os meios e medidas pelos quais a Igreja busca sua santificação e boa ordem e que são necessários para a edificação espiritual e eliminação de tudo o que ameaça o bem-estar da igreja[5].


Termos Chaves para a disciplina segundo o Novo Testamento


Disciplina

A palavra Disciplina “[...] tem sua ideia original, como indica a raiz no grego, na prática da antiguidade de um aluno seguir um mestre ou pensador [...] na mesma linha de pensamento, a disciplina, então, visa uma pessoa em conformidade com o caráter e com a mente do mestre”[6]; logo, tal palavra “evoca em nós o quadro de um mestre seguido por discípulos seus que prestam muita atenção ao que ele diz e que têm o desejo profundo de imita-lo (1Co 11.1; Fp 3,12-14)”[7], tal desejo pode ser simplificado da seguinte maneira: “ tudo o que o mestre é, devo ser”. A disciplina cumpre o papel de informar e corrigir os discípulos que possuam entendimentos errados que julgam caracterizar o seu mestre.

Ensino

Não possui serventia discutir ou aplicar a disciplina na igreja se não foi de forma precedente comunicado toda a vontade do nosso Senhor. “O que a Igreja sabe, crê e vive servirá de base essencial para disciplinar o membro que não sabe, não crê e não vive de acordo com a vontade de seu mestre”[8]. O Ensino é essencial para que seja esperado a obediência, por isso Jesus passou horas ensinando e instruindo. O Apóstolo Paulo seguindo o exemplo de Cristo afirmou “Por que não deixei de vos anunciar todo o propósito de Deus” (At 20.27); este propósito é relatado na Epístola escrita pelo Apóstolo Paulo aos Efésios “ para a santificar purificando-a com a lavagem da água pela palavra. Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 2. 26-27). Por tanto entendemos que o Ensino possui uma importância Singular (2 Tm 2.2).

Exortação

Exortar significa “Exercer influência sobre a vontade e as decisões de outrem com o intuído de conduzi-lo a um padrão de comportamento geralmente aceito, encorajando-o a observar determinadas instruções [...]”[9], é de suma importância frisamos que o ministério de exortação é exercido pelo Espírito Santo, entretanto não se restringe apenas a ele, nem tão pouco limitado a função pastoral ou líder de ensino “cada Cristão que avança no conhecimento em Cristo deve ter o privilégio de exortar o novo na fé”[10]. A Exortação é um dos dons que constam em Romanos 12.6-8 “[...] quem encoraja [exorta], use o dom para isso”. O Escritor aos Hebreus não limita este ministério a pessoa do Espírito Santo ou a algum grupo [X], nem muito menos a alguma pessoa [Y], pelo contrário, o mesmo escreve “[...] animemo-nos [exortando] uns aos outros” (Hb 10.24b). “A exortação praticada na Igreja de maneira Bíblica resolveria grande maioria dos problemas antes deles eclodirem”[11]. Não obstante “o apelo da Exortação deve esclarecer a grandeza do amor estendido ao pecador, para, em seguida, persuadi-lo a desejar a transformação de vida que Deus exige, reconhecendo e querendo fazer a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”[12].

Educação

A educação tem o alvo exato de tornar os filhos obedientes ao Pai. Deus é o nosso Pai espiritual que disciplina (Hb 12.7-10b, 11) seus filhos (v 5). Destarte “É importante reconhecer, conforme esclarece a Palavra, que Deus sabe bem melhor do que qualquer Pai humano qual seria o meio mais eficaz de corrigir os seus filhos – Acréscimo nosso”[13]. A atitude dos filhos deve ser de temor/reverência “ Filho meu, não desprezes a disciplina do Senhor [...]” (Hb 12.5a). O propósito de Deus é claro quanto a aplicação da disciplina “proporcionar maturidade/crescimento moral e espiritual”. Deus aplica a sua disciplina devido ao seu amor e com amor; a pesar que “ os filhos genuínos que não aceitam a transformação suave suscitada pelas Sagradas Escrituras – Deus não age sempre independente, mas faz de seus servos portados da palavra, “corrigindo com mansidão os que resistem" – devem estar prontos para meios mais desagradáveis”[14].

Admoestação e Advertência

A admoestação e a advertência implica um sentido de maior urgência – “um anúncio de um perigo que deve ser evitado”[15] – "não escrevo essas coisas para vos envergonhar, mas para vos advertir, como a meus filhos amados" (1Co 4.14).
Paulo ele aconselha dois passos a serem tomados após advertências terem sidos rejeitadas: Um brando e outro mais severo.

1: Se envergonhe (2 Ts 3.14)
Nesse caso é oferecido a esperança do arrependimento. “Para o primeiro, a desassociação, ou seja, evitar contato e comunhão, mas sempre tendo consciência de que se trata de um “irmão”[16]

2: Perverteu-se [...] condenou-se a si mesmo (1 Tt 3.11)
O segundo caso carece de qualquer sinal de vida. “[...] Tendo em vista a atitude opositora e partidária do pecador, este deve ser considerado indigno do nome “irmão”[17].

Entretanto será necessário a sabedoria de Deus para que possamos distinguir um caso do outro.

Repreensão e Convicção

Sem a ação convencedora e profunda do Espírito Santo (Jo 16.8-11), a condução do pecador ao arrependimento é impossível. Não obstante o “'persuadir' cabe ao homem; quebrantar o coração, ao Espírito de Deus”[18]. A repreensão deve ser exercida por todos os membros de uma igreja local com o intuído de convencer os pecados dos seus erros; “pastores e membros da igreja devem estar preparados para convencer os pecadores de seus erros”[19], entretanto, se for necessário, a repreensão deve continuar até que haja mudança. “O motivo para tentar levar pecadores dentro da igreja ao arrependimento é para que todos os demais tenham temor" (1Tm 5.20).
Paulo escrevendo aos Efésios incumbiu toda aquela comunidade cristã a reprovar (Gr; elenxete) as obras das trevas (Ef 5.11), na perícope seguinte ele solicita que os membros daquela comunidade venham a condenar (Gr; elenxomena) o pecado (Ef 5.13), sabendo que o instrumento é a palavra de Deus “Toda a Escritura [...] é util [...] para repreensão [...]” porque ela é inspirada por Deus (2Tm 3.16). Precisamos entender que a repreensão de Deus deve gerar em nós um sentimento de alegria e regozijo, pois ele “repreende” e “disciplina” a todos os que ele ama; “isto promove arrependimento nesta vida antes de que seja tarde”[20].

Correção

As escrituras são imprescindíveis para a correção, “Toda a Escritura é inspirada por Deus, é útil [...] para corrigir [...]” (2Tm 3.16). O propósito de Deus na correção encontra-se na perícope seguinte “Por ela o homem de Deus se torna perfeito – perfeitamente habilitado –, capacitado para toda boa obra” (v 17). “para que um erro seja corrigido, serão necessárias as Sagradas Escrituras, para que, em seguida, se mostre como é possível corresponder à vontade perfeita do Senhor – Acréscimo nosso” [21].


NOTAS
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* Todo o conteúdo textual dessa postagem se trata de um resumo do Livro "Disciplina na Igreja - Russel P. Shedd". Tal resumo foi apresentado para a conclusão da cadeira de administração eclesiástica do curso de Bacharel em Teologia, Pela Escola Teológica das Assembleias de Deus - ESTEADEB
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