segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os Fariseus - Uma abordagem Histórica






A Origem dos Fariseus

Os Fariseus surgiram do Antigo Partido dos hassidim – eram homens valorosos de Israel, cada um deles apegado a Lei (I Macabeus 2:42), que desejavam o direito de obedecê-la em sua terra natal, entretanto não estavam interessados em restabelecer um estado político Judaico para alcançar esse fim; contudo, auxiliaram os Macabeus em suas guerras contra os governantes helenistas no período Interbíblico (166 – 143 a.C) no tempo de João Hicarno. Era a “Seita” de maior influência e de adeptos nos dias do Novo Testamento

Um Estilo de Vida

A Palavra Fariseu deriva-se do verbo Hb, parash, “separar”. Os fariseus (Hb, פרושי "prushim"; Gr, ϕαρισαῖος) “separados”, eram os separatistas, ou puritanos do judaísmo que se afastavam de todas as más associações, e que procuravam prestar completa obediência a todos os preceitos da Lei oral ou Escrita; os tais eram conhecidos pela comunidade Judaica como "aqueles que se separaram" do resto da população comum para se consagrar ao estudo da Torá e das suas tradições. Todavia, sua separação não envolvia um ascetismo, já que julgavam ser importante o ensino à população das escrituras e das tradições; os mesmos tinham como os seus principais adversários, os Saduceus.

A Influência Farisaica 

Os Fariseus exerciam uma grande influência sobre a comunidade Judaica, segundo o maior historiador Judeu, Flávio Josefo, quando o povo enfrentava uma decisão importante, eles se apoiavam na opinião dos Fariseus de preferência à do Rei ou à do Sumo Sacerdote (Antiguidades, Livro XII, Cap. X, Sec 5), devido a tal prestígio os fariseus eram escolhidos para os altos postos do Governo, incluindo o sinédri–  o supremo tribunal dos Judeus – eles estavam intimamente ligados à liderança das sinagogas, ao seu culto e escolas. "O número de perushim na época era de pouco mais de seis mil pessoas" (Antigüidades Judaicas 17, 2, 4; § 42). Quase todos provinham de famílias de artífices e mercadores da classe média, entretanto, segundo Ezequias Soares, entre os Fariseus existiam aqueles que provinham de famílias camponesas (Soares; Ezequias, Manual de Apologética, 329 pag.) Muitos dentre os "perushim" tinham a profissão de sofer (escriba), ou seja, a pessoa responsável pela transmissão escrita dos manuscritos do A.T e da interpretação dos mesmos. Duas escolas de interpretação religiosa se desenvolveram no seio dos perushim e se tornaram famosas: a escola de Hillel e a escola de Shammai. A escola de Hillel era considerada mais "liberal" na sua interpretação da Lei, enquanto a de Shamai era mais "estrita".

A Moralidade Farisaica em Tempos Obscuros

Kaufman Kohler, no seu livro "Jewis Encyclopedia [Enciclopédia Judaica]", apresenta uma lista de certos tipos de fariseus que poderiam ser facilmente identificados na comunidade Judaica, sendo eles:

1. O Fariseu que fazia ostentação de sua boas obras diante dos homens com uma insígnia no ombro
2. O Fariseu que pedia a qualquer pessoa que esperasse por ele enquanto realizava uma boa ação
3. O Fariseu que feria a si próprio ao ir de encontro a uma parede, porque fechava os olhos para evitar ver uma mulher 
4. O Fariseu que andava com a cabeça pendente para não ver tentações sedutoras

Entretanto, o próprio autor afirma que havia Fariseus que como jó, eram verdadeiramente retos e temente a Deus; Merril C. Tenney concorda com tal afirmação de Kohler, reconhecendo também que "havia muitos outros entre eles que eram verdadeiramente homens virtuosos e bons. Nem todos eram hipócritas"¹.  Através das Sagradas Escrituras podemos citar alguns exemplo de Fariseus piedosos, sendo eles: Nicodemos, Jose Arimatéia, o próprio Saulo de Tarso, como também o seu tutor, Gamaliel. Vale salientar que  os Fariseus possuíam elevados padrões de moralidade, e "de todas as "Seitas" do judaísmo, só o farisaísmo sobreviveu. Tornou-se o fundamento do judaísmo ortodoxo moderno, que segue o modelo da moralidade, do cerimonialismo e do legalismo farisaico" (Tenney; Merril C., O Novo Testamento; Sua Origem e Análise, 438 pag.).


Fundamentação Teológica dos Fariseus

A Teologia dos Fariseus baseava-se no cânon completo do Antigo Testamento, em detrimento ao seu principal grupo opositor, os Saduceus, que baseavam a sua Teologia exclusivamente na Torá, afirmando que tal conjunto de livros eram o único Texto canônico, e que possuíam uma maior autoridade em relação aos demais - Profetas e Salmos".


Modelo de Interpretação Bíblica

Os Fariseus se utilizavam  do método alegórico de interpretação, devido a isto,  gozavam de bastante elasticidade na aplicação dos princípios da lei às novas questões que pudessem ser levantadas. Entretanto, convém ressaltar, que no que diz respeito as interpretações, os mesmos davam importância a Lei oral/tradição, que observavam minuciosamente, que mais tarde assumiu a forma escrita do Mishna e do Talmude, vale salientar que os "Fariseus consideravam  a Lei oral/Tradições como contemporâneas a Lei Escrita, e também como igualmente obrigatórias" (Tenney; Merril C., O Novo Testamento; Sua Origem e Análise, 438 pag.).

A Lei oral/Tradição Farisaica 

Em geral o termo "lei' se refere ao aspecto legislativo do Antigo Testamento, expresso, principalmente, nos cinco primeiros livros da Bíblia – O pentateuco – entretanto os Fariseus (em detrimento os Saduceus) viam com igual simpatia a Lei oral/Tradição escrita de interpretação e aplicação das Escrituras. "Essa tradição se desenvolveu em resposta às perguntas sobre o comportamento apropriado ou assuntos não tratados de forma específica pelos textos Bíblicos ( Zuck; Roy B, Teologia do Novo Testamento, 522 pag.). Essas tradições (Gr. παραδοσις) escritas ou orais, receberam tal estima por parte dos fariseus após os exílios sofridos pelo povo Israelita, David K. Lowery comenta o seguinte:

"Os Fariseus reconheciam que os exílios nacionais passados, em parte, foram precipitados pelo fracasso de Israel de viver em fiel concordância com a lei do Antigo Testamento que receberam. A Tradição oral, afim de prevenir contra a repetição dessas tragédias e de inculcar a preocupação com o viver justo geral, também desenvolveu linhas paralelas que tentavam proteger o povo de violar a lei de Deus por ignorância ou involuntariamente"


Particularidades em Sua Teologia e liturgia


1 Acreditavam na Existência dos Anjos

2 Na imortalidade da Alma e na ressurreição do corpo²

3 Praticavam orações e jejum rituais

4 Entregavam o dízimo meticulosamente

5 Eram muitos estritos na guarda do sábado, não permitindo sequer a cura dos crentes, nem a ceifa de trigo para comer na jornada (Mt 12.12)



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Notas

¹ Jesus os censurou severamente em Mateus 23. Eles se caracterizaram de maneira marcante pela hipocrisia. A palavra fariseu tornou-se sinônima de hipócrita e fingido, até os dias de hoje.

² Eram poucos os demais grupos judeus que aceitavam esse ponto de vista. "Pelo contrário, a maioria  esposava a ideia greco-persa de que morte separava de modo permanente a alma do corpo.


Dedicatória

Dedico todo este conteúdo a Bruno Vieira, devido a sua riquíssima contribuição Editorial.




Bibliografia


O Novo Testamento; Sua Origem e Análize - Merrill C. Tenney
Teologia do Novo Testamento - Roy B. Zuck (Org.)
O mundo do Novo Testamento -  J.I.Packer, Merril C.Tenney e William White
Manual de Apologética - Ezequias Soares
Doze Homens, Uma Missão; Um Perfil Bíblico Histórico dos Doze Discípulos de Cristo - Aramis C.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fariseus
https://www.gotquestions.org/Portugues/Saduceus-Fariseus.html
http://www.abiblia.org/ver.php?id=4036







terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Deus é Amor; Uma breve exposição sobre este sublime Atributo de Deus (Part 1)






Atributo - Aplicando um conceito Teológico:

Antes de Iniciarmos uma exposição Introdutória sobre o Amor de Deus, e de suma importância conceituarmos o que queremos dizer com a palavra "Atributo"; tal palavra significa: "particularidades, qualidades e características que são próprias de alguém ou algo"; logo, a aplicação deste termo - Atributo - na Teologia corresponderia as 'qualidades que inferimos a Deus ao ler as Sagradas Escrituras'; "Atributo, pois, é uma qualidade atribuída a um ser que existe. Os atributos de Deus são: modos de atividade e qualidades do seu caráter" (A.B. Langston).


Amor, Mais que um Sentimento


Segundo Myer Pearlman, O amor é o atributo de Deus em razão do qual ele deseja relação pessoal com aqueles que possuem a sua imagem e, mui especialmente, com aqueles que foram santificados em caráter, feitos semelhantes a ele (Pearlman, Myer; Conhecendo as Doutrinas Bíblicas, 335 pg); devido a isto, é de suma importância conceituarmos o amor, e diferencia-lo de sentimentos passageiros e sem significados; A. B. Langston  tratando sobre este sublime atributo de Deus , no seu conhecido livro "Esboço de Teologia Sistemática" afirma o seguinte: 

"O amor não consiste somente em sentir. O amor, além do sentimento, envolve também certa atitude em relação ao amado. A Bíblia diz que o amor nunca se acaba. Sabemos que os sentimentos findam, pelo que convém não confundirmos o que é passageiro com o que é permanente. Amor é mais que sentimento, é a atitude firme de dar-se ao ente ou objeto amado, e de possuí-lo em íntima comunhão"

Deus é Amor 


As Sagradas Escrituras afirma que Deus ele é amor (Gr; θεος αγαπη εστιν) "Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor [...] E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele" (1 Jo 4.8,16); ou seja, o amor está intrínseco a essência do Próprio Deus,  "O seu amor é como um rio que emana dEle mesmo, que é a fonte perene desse sentimento.  Assim, a Bíblia fala do "Deus de amor" (2 Co 13.11) e também do "amor de Deus" (2 Co 13.13)" (Bérgsten, Eurico; Introdução a Teologia Sistemática, 199 pg).


O Amor exercido pela Trindade  antes da Fundação do Mundo


A Luz das Escrituras percebemos que o amor de Deus era exercido  desde a eternidade, antes de ser manisfestado ao Homem, através do relacionamento entre as pessoas da Trindade, logo toda a trindade exercia este amor antes mesmo da fundação do mundo, na eternidade “porque tu me hás amado antes da fundação do mundo” (Jo 17.24); As Sagradas Escrituras  fala do amor de Jesus Cristo "que excede todo o entendimento" (Ef 3.19), como também fala do amor do Espírito Santo "E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus" (Rm 15:30).


Amor, um Atributo Moral-Comunicável de Deus


Em 1 João 4.19 lemos o Seguinte:

ημεις αγαπωμεν αυτον οτι αυτος πρωτος ηγαπησεν ημας
Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.

Sabendo disso subtendemos que Deus ele nos criou com a capacidade de amar. Este atributo de Deus - O Amor - é um atributo moral-comunicável, ou seja: 

"Deus comunicou aos seres humanos alguma ressonância desse amor [...] É, pois, sua vontade que nos amemos uns aos outros; é o segundo grande mandamento que Jesus declarou e que vem desde a Lei de Moisés: '[...] amarás ao teu próximo como a ti mesmo' (Lv 19.18; Mt 22.39; Mc 12.31). 'O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei [...] Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros' ( Jo 15.12,17)" (Gilberto, Antônio [Org.]; Teologia Sistemática Pentecostal,  556 pg).




Dedicatória:

Dedico todo este conteúdo a R.A, devido a sua riquíssima contribuição Editorial 





quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Introdução a Pneumatologia - A personalidade do Espírito Santo (Part 1)


Antes de fazermos algumas considerações a respeito da Divindade  e Obras do Espírito Santo, gostaríamos de destacar a sua personalidade. A Bíblia, em algumas ocasiões, descreve o Espírito de maneira impessoal; contudo, em tais situações, a mesma apenas realiza descrições das suas operações o sopro que preenche, a unção que unge, o fogo que ilumina e aquece, a água que é derramada e o dom do qual todos participam.
Não obstante, o Espírito Santo é conhecido como a terceira pessoa da trindade, Portanto se faz necessário comprovamos a luz das Escrituras as características da personalidade do Espírito; Logo, a pergunta que surge é esta "O Espírito Santo possui personalidade? O Espírito Santo pode ser considerado uma pessoa distinta do Pai e do Filho"?
Podemos afirmar que as características de personalidade são "inteligência, emoção e desejo, ou ainda, autoconsciência e autodeterminação"; Myer Pearlman faz o seguinte comentário sobre as  características de Personalidade atribuídas ao Espírito Santo:
"[...] Ele exerce os atributos de personalidade: mente (Rom. 8:27); vontade (1 Cor. 12:11); sentimento (Efés 4:30). Atividades pessoais lhe são atribuídas: Ele revela (2 Ped. 1:21); ensina (João 14:26); clama (Gál. 4:6); intercede (Rom. 8:26); fala (Apo. 2:7); ordena (Atos 16:6,7); testifica (João 15:26); Ele pode ser entristecido (Efés. 4:30); contra ele se pode mentir (Atos 5:3), e blasfemar (Mat.12:31,32). Sua personalidade é indicada pelo fato de que se manifestou em forma visível de pomba (Mat. 3:16) e pelo fato de que ele se distingue dos seus dons (1 Cor. 12:11)"(PEARLMAN, 2006, p. 228). 
Podemos perceber, a Luz das sagradas Escrituras, mais duas fortes evidências da Personalidade do Espírito Santo, sendo elas:

Pronomes pessoais são usados para se referir a ele

Um dos maiores argumentos quanto a personalidade do Espírito Santo, encontra-se na exegese das passagens que se encontram no Evangelho de João, quando “Jesus Cristo se refere ao Espírito usando um pronome pessoal masculino, ἐκεῖνος, mesmo o substantivo grego Πνεύμα, sendo neutro (Jo 14.17; 16.8,13,14)”. (ERICKSON, apud, MAIA, 2014, pg. 466).


O Espírito Santo é chamado de consolador

Segundo Trench (apud MAIA, 2014) da mesma forma que o designativo consolador (παράκλητος) é aplicado a Cristo, indicando a sua personalidade (Jo 14.16; 1Jo 2.1), o mesmo pode ser dito em relação a pessoa do Espírito Santo. Na perícope que se encontra em Jo 14.16 quando Jesus Cristo se utiliza da expressão “outro consolador”, o mesmo refere-se a uma pessoa numericamente distinta que viria substituir outra; um consolador semelhante a ele.

" και εγω ερωτησω τον πατερα και αλλον παρακλητον δωσει υμιν ινα μενη μεθ υμων εις τον αιωνα" 

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre"

 
Portanto, sabendo que um “Consolador é aquele que conforta, exorta, guia, instrui e defende [...]” (MAIA, 2014, pg. 466), compreendemos instantaneamente que o Espírito de hipótese alguma pode ser considerado com uma força ou influência - Este conceito é predominante dentro de algumas seitas Cristãs - O Espírito Santo possui os atributos, propriedades e qualidades de personalidade, logo, o mesmo é um ser Pessoal.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Por que Judas Beijou a Cristo?





O foco deste deste texto é apresentar exatamente duas razões Bíblicas-Históricas pelo qual Judas precisou beijar a Cristo na fatídica noite da traição relatada nos evangelhos. Precisamos ter em mente que a traição de Judas fora algo meticulosamente planejado e arquitetado pelo mesmo, Judas levou em consideração vários fatores que poderia decorrer no início, durante e após a Traição, e se preparou para que o seu plano viesse a ter êxito e nada fugisse do controle. O próprio Beijo de Judas em Cristo é um dos inúmeros exemplos que poderíamos citar que demonstra todo o cuidado de Judas para com o plano da Traição e o seu sucesso.
O Beijo de Judas em Cristo era algo necessário para que o plano da traição fosse concluído com êxito. As Sagradas Escrituras afirma que tal ato de Judas fora um Sinal "O traidor havia combinado um sinal com eles" Contudo, um grande questionamento que sempre existiu no meio da Cristandade é este: "Quais razões levou a  judas  entender que era necessário identificar a Cristo com um sinal (Gr. σημειον)"? Estaremos apresentando dois motivos principais para Judas ter entendido que o Beijo em Cristo se Fazia necessário.

Em primeiro lugar, uma das razões que levou a Judas precisar ter que Beijar a Cristo na noite da traição está intrínseco na perícope "O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: "Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no" (Mt 26.48). Subtendemos portanto, através da leitura de tal texto, que era necessário identificar a Cristo, para que fosse evitado que um outro discípulo fosse tomando de assalto; e assim Judas o Fez "E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e o beijou" (V. 49).

É interessante notar que o Evangelista Mateus na passagem que relata a traição - Capítulo 26 - usou duas expressões no grego para a Palavra Beijo, a primeira "Aquele a quem eu saudar com um φιλήσω - Beijo" (V. 48) e a segunda "Eu te saúdo, Rabi; e o κατεφίλησεν -  beijou" (V. 49), demonstrando que Judas não se limitou apenas a Beijar a Cristo, mas Juntamente com o Beijo o Abraçou demonstrando assim afeição.

No primeiro motivo percebemos que a identificação de Cristo era necessária para que fosse evitado que um outro discípulo fosse arrebatado no lugar de Cristo. Em alguns manuscritos apócrifos que tratam sobre o motivo do Beijo de Judas em Cristo esta essência - a identificação de Cristo - é preservada,  mesmo repleto  de conteúdos fantasiosos e míticos. Por isso a pergunta que surge é a seguinte: " Por que Judas se preocupou tanto em identificar a Cristo com um Sinal? Era possível que Cristo fosse confundido com algum outro discípulo"?

Sim, era possível! Averiguando a história Crista-Primitiva existe uma tradição Católica - Universal - Extremamente forte, e defendida por grandes estudiosos do Novo Testamento, "Tiago, Filho de Alfeu, conhecido também como Tiago Menor, discípulo de Cristo (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13) possuía uma grande semelhança física com Jesus, ao ponto de chegar a ser trabalhoso distinguir-se um do outro.

"Uma tradição ainda mais interessante e, talvez mais plausível, é preservada nas Lendas Douradas, uma compilação de sete volumes sobre a vida dos santos, elaborada por Voragine, Bispo de Gênova, em 1275 d.C. Ali relata-se que Tiago, filho de Alfeu, de tal sorte assemelhava-se a Jesus no corpo, no semblante e na conduta, que era trabalhoso distinguir-se um do outro. O beijo de Judas no Jardim do Getsêmane, de acordo com essa tradição, tornou-se necessário para certificar que Jesus e não Tiago, seria feito Prisioneiro" (DeBarros; Aramis C.; Doze Homens, Um Missão - Um perfil Bíblico-Histórico dos doze discípulos de Cristo. Hagnos, Pag, 361)

Esta tradição está baseada na alegação que Tiago Menor e Jesus possuíam uma relação de parentesco. As tradições apontam que Maria a mãe de Tiago (Mt 27.56; Mt 28.1), era Prima de Maria, mãe de Jesus; se esse parentesco pudesse ser comprovado, torna-se aceitável  esta tradição que envolve Tiago e Jesus Cristo e as respectivas semelhanças um com o outro. Entretanto, dada algumas outras circunstâncias que levaram a Judas planejar o Beijo em Cristo - Infelizmente devido ao tempo e espaço não estaremos abordando -  tal tradição é bastante coerente, preenchendo uma lacuna existencial e suprindo assim uma necessidade Histórico-Contextual tanto para Teólogos  como para pregadores e leitores das Sagradas  Escrituras sobre o motivo principal que levou a Judas ter que Beijar a Cristo.



Fontes:

O Mundo do Novo Testamento - J.l Packer, Merril C. Tenney e Willian White Jr
Doze Homens, Um Missão - Aramis C. DeBarros
Comentário Bíblico Moody - Everett F. Harrison
Novo Testamento Interlinear Analítico - Paulo Sérgio Gomes e Odayr Olivetti 
https://revavds.blogspot.com.br/2015/10/por-que-judas-traiu-jesus-com-um-beijo.html
https://artigos.gospelprime.com.br/por-que-judas-precisou-beijar-jesus/